Resultado de pesquisa é apresentado em congresso de iniciação científica em medicina tropical.

A realização de testes com o extrato de uma planta amazônica, conhecida como caferana, estuda o fato dela inibir em até 80% os efeitos da malária. É o que aponta a pesquisa ‘Estudo in vitro da atividade antimalárica de extratos e frações dos frutos de Picrolemma Sprucei’, apresentada nessa semana no Congresso de Iniciação Científica da Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).
Segundo a estudante de Iniciação Cientifica do 7° período do curso de Farmácia do Centro Universitário do Norte (UniNorte), Maria Deliane Nascimento, o estudo possibilitou o experimento de várias amostras sanguíneas originárias da picada do mosquito, do gênero Anopheles, infectado pelo protozoário Plasmodium.
A acadêmica diz que o objetivo principal da pesquisa foi avaliar os efeitos do extrato da caferana, conhecida no meio científico como Picrolemma Sprucei, em ação inibidora da malária. A pesquisa teve o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa de Apoio à Iniciação Científica do Amazonas (Paic).
Indígenas já conheciam a Caferana - De acordo com a estudante, as sociedades indígenas amazônicas já realizam a cura da malária por meio do extrato da caferana. “Os índios utilizavam também para outras enfermidades, como por exemplo, a diarreia e o câncer”.
Segundo a pesquisadora, o processo de investigação se deu não somente nos experimentos de laboratório, mas por meio de consultas em artigos publicados em revistas especializadas sobre o assunto e visitas constantes ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
Benefícios - Para Nascimento, não é fácil encontrar a caferana na floresta amazônica, entretanto o caboclo amazônico conhecedor das ervas medicinas coloca à disposição folhas secas da erva encontrada nos mercados e feiras da cidade. “Quanto ao processo de industrialização do extrato, a população de baixa renda terá acesso ao medicamento, que de certa forma inibe a doença, comum em nossa região.
Sintomas e transmissão da malária - Os sintomas mais comuns da malária são: calafrios, febre alta (no início contínua e depois com frequência de três em três dias), dores de cabeça e musculares, taquicardia, aumento do baço e, por vezes, delírios.
“Além dos sintomas correntes, aparece uma ligeira rigidez na nuca, perturbações sensoriais, desorientação, sonolência ou excitação, convulsões, vômitos e dores de cabeça, podendo o paciente chegar ao coma”, comentou Nascimento.
O protozoário é transmitido ao homem pelo sangue, geralmente através da picada da fêmea do mosquito Anopheles, infectada pelo Plasmodium ou, mais raramente, por outro tipo de meio que coloque o sangue de uma pessoa infectada em contato com o de outra sadia, como o compartilhamento de seringas (consumidores de drogas), transfusão de sangue ou até mesmo de mãe para feto na gravidez.
Segundo Nascimento, o financiamento da bolsa de iniciação científica pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) foi de extrema valia. “O risco de contaminação dos processos de experimentos é muito grande. Há necessidade das repetições de materiais no laboratório. Então, a Fapeam é fundamental no financiamento para a compra de novos materiais e execução do projeto”, disse.
Sobre o Paic - O Programa de Apoio à Iniciação Científica do Amazonas (Paic) consiste em apoiar, com recursos financeiros e bolsas institucionais, estudantes de graduação interessados no desenvolvimento de pesquisa em instituições públicas e privadas do Amazonas.
Agência Fapeam ( Noticia: ipevs.org.br )
Desmatamento na Amazônia tem queda de 42% em junho, diz Imazon
O ritmo de desmatamento na Amazônia Legal diminuiu no mês de junho, segundo levantamento feito pela organização ambiental brasileira Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), divulgado nesta sexta-feira (22).
O relatório elaborado pela ONG, a partir de imagens de satélite, apontou desmatamento de 99 km² no bioma no mês passado, uma redução de 42% no comparativo com junho de 2010.
De acordo com Sanae Hayashi, pesquisadora do Imazon, a queda surpreendeu porque o mês é o primeiro do período considerado crítico para o desmatamento, devido ao início da seca na Amazônia, que facilitaria as queimadas e, consequentemente, a devastação da floresta.
“Acreditamos que a queda pode já ser resultado das operações de fiscalização implementadas pelo Ministério do Meio Ambiente e outros órgãos”, afirma Sanae.
No acumulado entre agosto de 2010 e junho de 2011, o desmatamento foi de 1.534 km², aumento de 15% em relação a agosto de 2009 e junho de 2010. O estado de Mato Grosso foi responsável por derrubar 38% deste total e é líder no ranking do desmatamento, seguido do Pará (25%) e de Rondônia (21%).
A cobertura de nuvens em junho impediu que 35% da Amazônia Legal fosse monitorada por satélites, de acordo com o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD).
Mapa produzido pelo Imazon mostra em vermelho os pontos de desmatamento detectados pelos técnicos do instituto no mês de junho (Foto: Divulgação)
Assentamentos
Sanae informa ainda que 22 km² de floresta foram derrubados em assentamentos de reforma agrária, principalmente no Amazonas e no Pará. No ranking divulgado pelo Imazon, o assentamento Rio Juma, em Apuí (AM) foi o que mais derrubou árvores no mês passado (7,1 km²).
Sanae informa ainda que 22 km² de floresta foram derrubados em assentamentos de reforma agrária, principalmente no Amazonas e no Pará. No ranking divulgado pelo Imazon, o assentamento Rio Juma, em Apuí (AM) foi o que mais derrubou árvores no mês passado (7,1 km²).
“Os índices são altos para essas áreas, que tinham que registrar zero desmatamento. Para evitar isso, esses projetos deveriam ter mais apoio do governo e também maior fiscalização e infraestrutura, para evitar o crime ambiental”, diz a pesquisadora.
AumentoO decréscimo no desmatamento registrado pelo Imazon não é considerado pelo governo federal. A expectativa do Ministério do Meio Ambiente para junho é de alta na devastação da floresta. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, declarou nesta semana que o índice de desmatamento em junho será superior ao mesmo Mês do ano passado.
Sem precisar os números, a ministra informou também que, no acumulado do ano, a devastação do bioma medida pelo sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) também foi maior. As informações devem ser divulgadas na próxima semana pelo governo.
Fonte: Eduardo Carvalho - Globo Natureza
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